Glaucoma: O Que É, Como Diagnosticar e as Opções de Tratamento em 2025
O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, mas quando detectado cedo pode ser controlado. Entenda como funciona a doença, quais são os fatores de risco e os tratamentos disponíveis.
O glaucoma é uma das doenças oculares mais temidas — e com razão. É a segunda maior causa de cegueira irreversível no mundo, afetando mais de 80 milhões de pessoas. No Brasil, estima-se que cerca de 1 milhão de pessoas tenham a doença sem saber. A boa notícia: quando diagnosticado precocemente, o glaucoma pode ser controlado e a visão preservada.
O Que É o Glaucoma?
O glaucoma é um grupo de doenças que danificam o nervo óptico — a estrutura responsável por transmitir as imagens captadas pelo olho ao cérebro. Na maioria dos casos, esse dano está associado ao aumento da pressão intraocular (PIO), embora existam formas de glaucoma com pressão normal.
O problema é que o dano ao nervo óptico é silencioso e progressivo. Na fase inicial, o paciente não sente nada. Quando percebe a perda de visão, geralmente já houve dano significativo e irreversível.
Tipos de Glaucoma
Glaucoma de Ângulo Aberto (Crônico)
É o tipo mais comum, responsável por cerca de 90% dos casos. Evolui lentamente, sem dor, e afeta primeiro a visão periférica. Por isso é chamado de "ladrão silencioso da visão".
Glaucoma de Ângulo Fechado (Agudo)
Menos comum, mas mais dramático. Ocorre quando o ângulo de drenagem do humor aquoso fecha subitamente, causando aumento brusco da pressão. Os sintomas incluem dor intensa, vermelhidão, visão turva e náuseas. É uma emergência oftalmológica.
Glaucoma de Pressão Normal
O nervo óptico é danificado mesmo com pressão intraocular dentro dos limites normais. Acredita-se que fatores vasculares e genéticos estejam envolvidos.
Glaucoma Congênito
Presente desde o nascimento ou que se manifesta nos primeiros anos de vida. Requer tratamento cirúrgico precoce.
Fatores de Risco
Algumas pessoas têm maior probabilidade de desenvolver glaucoma:
- Pressão intraocular elevada — principal fator de risco modificável
- Histórico familiar — quem tem parentes de primeiro grau com glaucoma tem risco 4 a 9 vezes maior
- Idade acima de 40 anos — a prevalência aumenta com a idade
- Miopia alta — olhos mais longos têm nervo óptico mais vulnerável
- Diabetes e hipertensão arterial — afetam a circulação do nervo óptico
- Uso prolongado de corticoides — pode elevar a pressão intraocular
- Etnia negra — maior prevalência e formas mais agressivas
Como é Feito o Diagnóstico?
O diagnóstico do glaucoma exige uma avaliação oftalmológica completa, que inclui:
Tonometria
Medição da pressão intraocular. Valores acima de 21 mmHg são considerados elevados, mas o diagnóstico não se baseia apenas nesse número.
Fundoscopia
Exame do fundo do olho para avaliar o nervo óptico. O médico observa a escavação do disco óptico — quando aumentada, pode indicar glaucoma.
Campo Visual (Perimetria)
Avalia a visão periférica. Perdas no campo visual são características do glaucoma avançado.
OCT do Nervo Óptico
A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) permite medir com precisão a espessura da camada de fibras nervosas da retina, detectando danos antes mesmo de aparecerem no campo visual.
Paquimetria
Mede a espessura da córnea, que influencia a leitura da pressão intraocular.
Gonioscopia
Examina o ângulo de drenagem do humor aquoso, essencial para classificar o tipo de glaucoma.
Tratamento do Glaucoma em 2025
O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular para um nível que impeça a progressão do dano ao nervo óptico. Não existe cura, mas o controle é possível.
Colírios (Tratamento Medicamentoso)
São a primeira linha de tratamento na maioria dos casos. As principais classes incluem:
- Análogos de prostaglandinas — aumentam a drenagem do humor aquoso (ex: latanoprosta, bimatoprosta)
- Beta-bloqueadores — reduzem a produção do humor aquoso (ex: timolol)
- Inibidores da anidrase carbônica — diminuem a produção do humor aquoso (ex: dorzolamida)
- Alfa-agonistas — reduzem a produção e aumentam a drenagem (ex: brimonidina)
A adesão ao tratamento é fundamental. Muitos pacientes abandonam os colírios por não sentir sintomas — um erro grave.
Laser
Trabeculoplastia a Laser (SLT)
Melhora a drenagem do humor aquoso pelo trabeculado. Pode ser usada como tratamento inicial ou complementar aos colírios. Tem boa eficácia e pode ser repetida.
Iridotomia a Laser
Indicada para glaucoma de ângulo fechado. Cria uma abertura na íris para facilitar a circulação do humor aquoso.
Cirurgia
Quando os colírios e o laser não são suficientes, a cirurgia é indicada.
Trabeculectomia
Cria uma nova via de drenagem para o humor aquoso. É o procedimento cirúrgico mais realizado para glaucoma.
Implante de Dispositivos de Drenagem (Válvulas)
Tubos que desviam o humor aquoso para fora do olho. Indicados em casos mais complexos.
Cirurgia Minimamente Invasiva (MIGS)
Técnicas mais recentes com menor risco cirúrgico, como o implante de microstents no trabeculado. Ganham espaço especialmente em glaucomas leves a moderados.
Glaucoma e Qualidade de Vida
O glaucoma não tratado leva à perda progressiva da visão periférica e, eventualmente, à cegueira. Mas com tratamento adequado e acompanhamento regular, a grande maioria dos pacientes mantém boa qualidade de vida e visão funcional por toda a vida.
Quando Consultar um Oftalmologista?
- Se você tem mais de 40 anos e nunca fez um exame completo de glaucoma
- Se tem histórico familiar da doença
- Se usa corticoides por tempo prolongado
- Se tem diabetes, hipertensão ou miopia alta
- Se percebeu qualquer alteração na visão periférica
O exame preventivo é simples, rápido e pode salvar sua visão. Não espere ter sintomas — no glaucoma, quando eles aparecem, o dano já está feito.
Na A Visão Oftalmologia, realizamos avaliação completa para glaucoma com equipamentos de última geração, incluindo OCT de alta resolução, campo visual computadorizado e tonometria de não contato. Agende sua consulta.
